Como estudar para Concursos de Tribunais: guia para iniciantes

Estudar para os concursos de tribunais (como os Tribunais Regionais do Trabalho – TRTs, Tribunais Regionais Eleitorais – TREs, Tribunais Regionais Federais – TRFs e os Tribunais de Justiça estaduais – TJs) é uma excelente escolha. Esses órgãos costumam oferecer ótimas remunerações, estabilidade e uma quantidade constante de editais.

Para quem está começando, o maior erro é tentar “abraçar o mundo” e estudar tudo de uma vez. O segredo da aprovação em tribunais não é a decoração mecânica de leis (a famosa “decoreba”), mas sim a compreensão estratégica de como as disciplinas se interligam e a constância nos estudos.

Aqui está o passo a passo essencial para você estruturar a sua preparação do zero:

1. Escolha a sua Área de Foco

Os tribunais dividem-se, basicamente, em duas grandes frentes. Tentar estudar para ambas ao mesmo tempo vai atrasar a sua aprovação. Escolha uma para começar:

  • Área Judiciária / Apoio Especializado: Exige formação em Direito. O foco é total nas matérias jurídicas profundas.
  • Área Administrativa: Exige nível superior em qualquer área (ou nível médio, dependendo do cargo/região). É a área ideal para quem não é formado em Direito, pois foca em noções de direito e em disciplinas de gestão.

2. O “Núcleo Duro” das Matérias (O que estudar primeiro)

Independentemente de qual tribunal você escolher, existe um grupo de disciplinas que cai em praticamente 100% das provas. Comece a sua rotina por elas. Dominar essa base permite que você migre de um concurso de tribunal para outro com muita facilidade.

O Bloco Básico Universal

  • Língua Portuguesa: Tem um peso gigantesco e serve como critério de desempate na maioria das bancas (como FCC, FGV e Cebraspe).
  • Direito Constitucional: A base de todo o ordenamento jurídico. Foque na organização do Estado e, claro, no Poder Judiciário.
  • Direito Administrativo: Regras do jogo do serviço público (atos administrativos, licitações, agentes públicos).
  • Raciocínio Lógico-Matemático / Informática: Geralmente cobrados no bloco de conhecimentos gerais.

Se você optar pela Área Administrativa, adicione logo cedo a Administração Pública e Gestão. Se optar pela Área Judiciária, inclua os Direitos Processuais (Civil e Penal).

3. O Método de Estudo Ativo

Para reter o conteúdo de forma eficiente e construir um raciocínio lógico sobre a matéria, divida seu tempo de estudo em três pilares:

1.Teoria Direta e Objetiva:Fase de Compreensão.

Estude por videoaulas ou PDFs focados em concursos. Não perca tempo com doutrinas densas ou livros acadêmicos voltados para a graduação. O objetivo aqui é entender a lógica da matéria e como ela se aplica.

2.Engenharia Reversa (Questões):Fase de Fixação.

Faça questões da banca examinadora logo após estudar a teoria. É na resolução de exercícios que você descobre como a teoria é cobrada e quais pegadinhas são mais comuns.

3.Revisões Periódicas e Mapas Mentais:Fase de Retenção.

O cérebro esquece o que não usa. Crie resumos em tópicos, tabelas comparativas ou mapas mentais. Revise o conteúdo estudado em ciclos (ex: 24 horas depois, 7 dias depois e a cada 30 dias).

4. Como Lidar com a Legislação (A “Lei Seca”)

As provas de tribunais cobram muito a literalidade da lei, mas ler o texto seco da lei sem entender o contexto pode ser exaustivo e pouco produtivo.

A Estratégia Certa: Primeiro, compreenda o conceito através da explicação do professor (PDF ou aula). Depois, faça a leitura dos artigos da lei correspondente. Dessa forma, quando você ler o texto da lei, ele fará sentido lógico na sua mente, facilitando a memorização natural.

5. Planejamento de Ciclo de Estudos

Não estude apenas uma matéria até esgotá-la. O ideal para quem está começando é o Ciclo de Estudos, onde você alterna disciplinas para manter o cérebro ativo.

Se você tem 3 horas por dia para estudar, distribua assim:

  • Matéria 1: 1 hora e 15 minutos (Teoria + Revisão rápida)
  • Matéria 2: 1 hora e 15 minutos (Teoria + Revisão rápida)
  • Questões: 30 minutos (Fixação das matérias do dia ou do dia anterior)

Mantenha a constância. É melhor estudar 2 ou 3 horas todos os dias com qualidade do que tentar estudar 8 horas no sábado e passar o resto da semana sem abrir os livros.

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