Dizer que a guerra em Gaza é um conflito militar convencional ignora a realidade brutal documentada nos necrotérios e hospitais da região. O que o mundo testemunha em Gaza é uma campanha de aniquilação sistemática que assume contornos explícitos de feminicídio em massa — onde aquelas que carregam e sustentam a vida são as principais vítimas da violência do Estado de Israel.
O Peso dos Números: Quem Realmente Está Morrendo?
O dado mais estarrecedor dessa tragédia é que cerca de 70% das mortes confirmadas e verificadas em Gaza são de mulheres e crianças.
- O Relatório da ONU: Um relatório detalhado do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR) analisou as mortes na Faixa de Gaza e confirmou que quase 70% das vítimas civis verificadas eram mulheres e menores de idade.
- Destruição de Lares: Essa proporção alarmante se deve, em grande parte, à tática militar de bombardeios massivos contra edifícios residenciais. Em vez de combates em frentes de batalha isoladas, os explosivos caem sobre os lares, atingindo famílias inteiras no local onde deveriam estar seguras.
- A Falta de Distinção: Para órgãos de direitos humanos, o perfil demográfico das vítimas revela um fracasso sistemático das forças israelenses em respeitar o princípio internacional da distinção — que exige separar combatentes de civis.
“A perda de vidas femininas e infantis em Gaza não é apenas um ‘efeito colateral’. Quando a maioria esmagadora dos mortos pertence a este grupo, a própria natureza da ofensiva precisa ser questionada como um ataque à reprodução e continuidade da vida do povo palestino.”
Um Ataque Direto à Sobrevivência e à Maternidade
Além das mortes causadas por bombas e estilhaços, as mulheres em Gaza enfrentam um cenário de tortura psicológica e física diária através do colapso completo da infraestrutura de saúde.
Mulheres grávidas são forçadas a dar à luz em tendas improvisadas, sem anestesia, sem água limpa e sem energia para incubadoras. O bloqueio de suprimentos médicos fundamentais, alimentos e ajuda humanitária atua como uma arma silenciosa que atinge diretamente as mães, bebês e crianças em fase de desenvolvimento.
Não se trata apenas de matar as mulheres no presente, mas de inviabilizar o nascimento e o cuidado das futuras gerações. Nomear essa tragédia como um geno-feminicídio é dar nome à política deliberada de destruição de um grupo por meio do extermínio sistemático de suas mulheres e crianças. O silêncio ou a conivência internacional diante desses 70% de vítimas inocentes é uma mancha indelével na história dos direitos humanos.






