MANIFESTO DAS VOZES DA TERRA: A Floresta em Nós, Nós pela Floresta

Nós, as mulheres da terra, das águas e das matas — indígenas, quilombolas, ribeirinhas, extrativistas, quebradeiras de coco —, levantamos nossas vozes contra o silêncio que tentam nos impor. Não somos apenas moradoras da floresta; nós somos a própria floresta em movimento.

Nosso corpo é o território que defendemos; nossa ancestralidade é a raiz que nos sustenta. Quando a motosserra derruba uma árvore, quando o mercúrio polui o rio, quando a ganância invade a terra, é a nossa vida que sangra. Mas onde tentam plantar a destruição, nós insistimos em semear a resistência.

“Se a floresta em pé é a garantia do futuro do planeta, nós somos as mãos que garantem a floresta em pé. Respeitar a terra é respeitar quem a protege.”

O que Defendemos: Nossa Aliança com a Vida

Nosso modo de viver não cabe nas métricas do lucro imediato. Nós existimos para coexistir. Nosso manifesto é um chamado à cura da Terra por meio de nossas práticas:

  • A Cura que Vem da Raiz: Preservamos a medicina tradicional, as sementes crioulas e o conhecimento que alimenta o corpo e a alma de nossas comunidades.
  • A Economia do Cuidado: Mostramos que é possível viver da floresta sem destruí-la. Nossa colheita respeita o tempo da terra, gerando vida onde o capital só enxerga mercadoria.
  • A Linha de Frente: Não recuamos diante da violência daqueles que querem transformar nossos lares em pasto, cinzas e mineração.

O que Exigimos: O Clamor da Resistência

Não pedimos licença; exigimos o que nos é de direito por história, justiça e sobrevivência. Gritamos ao mundo:

  1. Demarcação Já: A segurança da floresta depende da garantia de nossos territórios protegidos e livres de invasões.
  2. Voz e Decisão: Nossos saberes não são adornos para discursos bonitos. Exigimos assento e poder de decisão real em todas as mesas de debate sobre o clima e o futuro do planeta.
  3. Fim da Violência: Exigimos a proteção da vida das lideranças femininas que são ameaçadas, perseguidas e tombam em defesa do solo sagrado.
  4. Justiça de Gênero e Climática: Não haverá equilíbrio ecológico no mundo enquanto a voz das mulheres que sustentam as comunidades locais continuar sendo ignorada.

O Futuro é Agroecológico, Ancestral e Feminino

Aos governos, às corporações e à humanidade: entendam que o ar que vocês respiram e a água que consomem dependem da nossa resistência diária. A luta pela floresta não é uma pauta distante; é a única chance de sobrevivência que resta a este planeta.

Nenhum passo atrás. Enquanto houver floresta, haverá mulher lutando para mantê-la de pé.

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